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Filmes Clássicos de Terror dos Anos 70/80

Nas décadas de 1970 e 1980, o cinema de terror experimentou uma metamorfose sombria. Estes foram tempos em que as telas foram invadidas por uma nova geração de cineastas, determinados a desafiar as fronteiras do medo e explorar as profundezas do desconhecido. Os Filmes Clássicos de Terror destas eras, mergulhados em atmosferas intensas e trilhas sonoras arrepiantes, trouxeram à vida pesadelos que persistem em assombrar nossos subconscientes. Vamos mergulhar nas obras-primas que definiram o terror nas décadas de 1970 e 1980, numa jornada assustadora por corredores escuros, casas mal-assombradas e pesadelos que se tornaram imortais no cinema de horror clássico.

Sexta-Feira 13: Uma Jornada Sangrenta pelo Terror Cinematográfico

A franquia de terror americana “Sexta-Feira 13” é uma saga que se tornou ícone do gênero slasher, compreendendo doze filmes, uma série de televisão, romances, histórias em quadrinhos, jogos eletrônicos e uma gama de produtos tie-in. O enredo central gira em torno do misterioso e aterrorizante Jason Voorhees, cujo destino trágico na infância desencadeia uma série de eventos macabros em Camp Crystal Lake.

O primeiro filme da série, “Sexta-Feira 13”, lançado em 1980, foi concebido para capitalizar o sucesso de “Halloween” (1978). Escrito por Victor Miller e dirigido por Sean S. Cunningham, o filme estabeleceu as bases para uma franquia que se estenderia por décadas. A trama inicial apresenta o afogamento de Jason Voorhees quando criança, devido à negligência na supervisão do acampamento. Os boatos de uma maldição sobre o lago desencadeiam uma onda de assassinatos brutais, com Jason sendo a figura central, quer como assassino, quer como motivação para os crimes subsequentes.

Ao longo dos anos, a franquia explorou diferentes aspectos do horror, desde sequências diretas até mudanças de enfoque narrativo. Os filmes foram bem-sucedidos nas bilheteiras, arrecadando mais de 529 milhões de dólares em todo o mundo, solidificando-se como a franquia de terror mais lucrativa até o lançamento de “Halloween” (2018).

O produtor Frank Mancuso, Jr., expandiu o universo de “Sexta-Feira 13” com a criação da série de televisão “Friday the 13th: The Series”. A trama do programa não estava diretamente ligada aos filmes, mas explorava a ideia de má sorte e maldições, introduzidas na franquia cinematográfica. Este desenvolvimento ocorreu após a Paramount Pictures, detentora dos direitos cinematográficos, lançar “Jason Lives”. A série proporcionou uma abordagem diferente, diversificando o alcance da marca.

Durante o período em que a Paramount detinha os direitos, quatro filmes foram adaptados para romances, expandindo a narrativa além das telas de cinema. Com a transferência da franquia para a New Line Cinema, Sean S. Cunningham retornou como produtor, supervisionando dois filmes adicionais e um crossover com o personagem Freddy Krueger da série “A Nightmare on Elm Street”. Além disso, a parceria com a New Line Cinema resultou em treze novelas e várias séries de histórias em quadrinhos centradas em Jason.

Embora os filmes não tenham recebido aclamação crítica, a franquia “Sexta-Feira 13” emergiu como uma das mais bem-sucedidas nos Estados Unidos. Seu sucesso não se limitou às bilheterias, estendendo-se ao extenso merchandising e às repetidas referências na cultura popular. A máscara de hóquei usada por Jason Voorhees tornou-se uma imagem icônica no gênero terror e na cultura popular em geral.

A influência duradoura da série é evidente na devoção dos fãs, que criaram seus próprios filmes, réplicas do traje e máscaras de Jason, demonstrando um compromisso único com a mitologia da franquia. A máscara de hóquei, em particular, tornou-se um símbolo reconhecido globalmente, transcendendo os limites do cinema para se tornar parte integrante da iconografia cultural.

Em outubro de 2022, foi anunciado o desenvolvimento de uma série prelúdio da franquia intitulada “Crystal Lake”, destinada ao serviço de streaming Peacock. O roteirista Victor Miller, responsável pelo primeiro filme da saga, está envolvido como produtor executivo. No entanto, devido a questões judiciais, a série não poderá abordar eventos ocorridos após o filme de 1980, incluindo a famosa máscara de hóquei de Jason. Isso, no entanto, promete oferecer aos fãs uma visão aprofundada dos acontecimentos que antecederam o início da saga.

Em resumo, “Sexta-Feira 13” transcende a tela, transformando-se em uma experiência cultural que perdura por gerações. Seja pela tensão nos filmes originais, pela expansão para a televisão e outras mídias, ou pela devoção fervorosa dos fãs, a franquia continua a ser uma força dominante no cenário do horror, assombrando a imaginação do público com o terror inesquecível de Camp Crystal Lake e seu temível antagonista, Jason Voorhees.



A Hora do Pesadelo: O Início do Horror de Freddy Krueger

“A Hora do Pesadelo” é uma franquia de terror norte-americana que teve início em 1984 com o lançamento do filme homônimo dirigido e escrito por Wes Craven. Este filme, que apresentou o icônico vilão Freddy Krueger, foi o ponto de partida para uma saga que se estendeu por sequências, uma série de televisão e diversas outras obras, consolidando-se como uma influência marcante no gênero de terror.

 

O enredo do filme se desenrola na fictícia cidade de Springwood, Ohio, e gira em torno de um grupo de jovens aterrorizados em seus pesadelos por Freddy Krueger, um psicopata assassino de crianças. Interpretado por Robert Englund, Freddy retorna dos mortos para assombrar os sonhos dos filhos daqueles que o queimaram vivo como vingança por seus crimes.

Wes Craven, o mestre do terror, criou “A Hora do Pesadelo” com um orçamento modesto de 1,8 milhão de dólares, um investimento que se revelou altamente lucrativo nas bilheterias americanas, arrecadando 25,5 milhões de dólares em sua primeira semana de exibição. O filme recebeu elogios críticos e teve um impacto significativo no gênero horror, dando origem a uma franquia de sucesso.

O sucesso do filme é creditado à habilidade de Craven em incorporar elementos dos filmes de terror de baixo orçamento dos anos 1970 e 1980, especialmente influenciado por “Halloween” (1978) de John Carpenter. O jogo de moralidade em torno da promiscuidade sexual dos adolescentes, resultando em mortes, foi um tropeço característico desses filmes slasher da época. Críticos e historiadores do cinema destacam que a premissa central do filme explora a luta para distinguir entre sonho e realidade, uma temática que permeia a vida dos jovens protagonistas.

O elenco principal, liderado por Heather Langenkamp como Nancy Thompson e Robert Englund como o temível Freddy Krueger, desempenhou papéis cruciais na construção do suspense e do terror. A narrativa envolvente explorou não apenas os terrores noturnos, mas também as complexidades das relações entre os personagens, ampliando a dimensão psicológica do horror.

A produção do filme envolveu desafios técnicos, como a utilização de um set rotativo para criar efeitos visuais impactantes, especialmente nas cenas de morte de Glen e Tina. A cena da banheira, onde Nancy é atacada por Krueger, foi realizada com uma banheira especial sem fundo, proporcionando uma experiência visual única. A visão original de Craven para o final do filme foi alterada a pedido da New Line Cinema, que buscava um desfecho mais intrigante e deixando espaço para futuras sequências.

O sucesso de “A Hora do Pesadelo” não se limitou ao cinema. A franquia se expandiu para incluir sequências, uma série de televisão e, em 2010, um remake do filme original. A criação de Wes Craven deixou uma marca indelével no gênero de terror, com sua capacidade única de explorar as fronteiras entre o imaginário e o real, desafiando as percepções do público.

Heather Langenkamp, no papel de Nancy Thompson, destaca-se como uma protagonista inteligente e determinada, confrontando seus medos e desafiando a ameaça de Freddy Krueger. Robert Englund, por sua vez, imortalizou o personagem de Freddy, tornando-se uma figura icônica no universo do horror.

“A Hora do Pesadelo” não é apenas um filme de terror; é uma jornada cinematográfica que transcende os limites do pesadelo e entra no reino do horror. A influência de Wes Craven e sua criação, Freddy Krueger, ecoam através das décadas, continuando a assombrar os sonhos e despertar o medo do público, solidificando-se como um clássico do terror que resistiu ao teste do tempo.



Poltergeist

A trilogia “Poltergeist”, iniciada com “Poltergeist – O Fenômeno” (1982), seguida por “Poltergeist II: The Other Side” (1986) e concluída com “Poltergeist III: O Capítulo Final” (1988), é reverenciada pelo seu impacto no gênero de terror, mas também é marcada por tragédias que envolveram alguns membros do elenco após as filmagens.

“Poltergeist – O Fenômeno” (1982): Dirigido por Tobe Hooper, produzido e co-escrito por Steven Spielberg, o filme conta a história da família Freeling, cuja casa é invadida por espíritos malévolos. Além do sucesso comercial e crítico, a produção ganhou fama pela sua alegada maldição devido a eventos trágicos envolvendo membros do elenco.

  • Dominique Dunne (1960-1982):
    • Personagem: Dana Freeling (filha mais velha)
    • Morte: Dominique Dunne, que interpretou a filha mais velha dos Freelings, foi estrangulada por seu ex-namorado em 1982, poucos meses após o lançamento do filme. Tinha 22 anos.
  • Heather O’Rourke (1975-1988):
    • Personagem: Carol Anne Freeling
    • Morte: Heather O’Rourke, a jovem atriz que desempenhou o papel central de Carol Anne, faleceu tragicamente em 1988, aos 12 anos, devido a complicações de uma obstrução intestinal aguda.

 

“Poltergeist II: The Other Side” (1986):  A sequência, novamente dirigida por Tobe Hooper, explorou novos elementos da trama sobrenatural e apresentou outros eventos trágicos após a produção.

  • Julian Beck (1925-1985):
    • Personagem: Reverendo Henry Kane
    • Morte: Julian Beck, que interpretou o sinistro Reverendo Kane, morreu em 1985 durante as filmagens, vítima de complicações relacionadas ao câncer.
  • Will Sampson (1933-1987):
    • Personagem: Taylor
    • Morte: Will Sampson, conhecido por seu papel como Taylor em “Poltergeist II”, faleceu em 1987, aos 53 anos, após um transplante de coração, enfrentando complicações pós-operatórias.

 

“Poltergeist III: O Capítulo Final” (1988): O terceiro filme da série, dirigido por Gary Sherman, trouxe uma reviravolta ao ambientar a trama em um arranha-céu de Chicago.

Essas tragédias alimentaram especulações sobre uma suposta maldição associada à série “Poltergeist”. No entanto, é importante observar que esses eventos foram, em grande parte, resultado de circunstâncias individuais e problemas de saúde preexistentes, não sendo diretamente ligados à produção cinematográfica. Apesar das controvérsias, a trilogia permanece como parte integrante do cânone do terror, celebrando o talento dos envolvidos, enquanto os eventos trágicos adicionam uma aura sombria à sua história nos anais de Hollywood.


Hellraiser: Uma Jornada pelo Horror e Além

A franquia “Hellraiser”, criada por Clive Barker, oferece uma mitologia envolvente centrada nos Cenobitas, seres que flutuam entre anjos e demônios, desencadeados quando alguém manipula a Configuração do Lamento. Com altos e baixos, a saga abrange várias décadas e oferece uma rica tapeçaria de histórias de horror. Com um novo capítulo lançado em 2022, aqui está a melhor ordem cronológica para experimentar essa jornada aterrorizante.

1. Hellraiser: Renascido do Inferno (1987)

Este foi o ponto de partida, dirigido por Clive Barker e baseado em seu livro “The Hellbound Heart”. A trama mergulha nas profundezas dos Cenobitas quando Julia Cotton ajuda a ressuscitar seu falecido amante, Frank Cotton, desencadeando forças demoníacas lideradas por Pinhead.
Em busca de novas sensações de prazer, Frank Cotton manipula um cubo enigmático que o conduz a uma dimensão habitada pelos cenobitas, criaturas deformadas e marcadas por cicatrizes, que infligem a suas vítimas sessões de tortura e mutilação. Anos mais tarde, seu irmão Larry decide retornar à casa da família, antes abandonada, junto com sua esposa, Julia. Contudo, o inesperado reaparecimento de Frank transforma tudo em um pesadelo em crescimento, evidentemente com a presença aterradora dos cenobitas.

2. Hellraiser II: Renascido das Trevas (1988)

Continuando a saga, a direção passa para Tony Randel, mas a história de Barker continua a desdobrar-se.
A jovem Kristy (Ashley Laurence) encontra-se em um hospital psiquiátrico, onde sua história não encontra credibilidade. No entanto, ela está longe de saber que o diretor da clínica, Dr. Channard (Kenneth Cranham), é um profundo estudioso do aterrorizante mundo que Kristy testemunhou. Determinado a desvendar todos os segredos por trás dessa narrativa assustadora, ele ressuscita a terrível madrasta de Kristy, Julia (Clare Higgins), que volta a ceifar vidas inocentes. Agora, a jovem se vê novamente enfrentando o risco de passar a eternidade no pior dos seus pesadelos.

3. Hellraiser III: Inferno na Terra (1992)

Aqui, a franquia cai nas mãos da Dimension Films. O filme segue uma jornalista investigativa enquanto desvenda uma conspiração envolvendo os Cenobitas, em uma tentativa de recuperar a qualidade do terror explorado nos filmes anteriores.

4. Hellraiser IV: Herança Maldita (1996)

Ambicioso, este filme leva a saga para o espaço, explorando o passado, presente e futuro do universo Hellraiser. Com uma sequência em uma estação espacial, oferece um “final” definitivo para a história.

5. Hellraiser: Inferno (2000)

Após um fracasso de bilheteria, a Dimension Films opta por lançamentos diretos em DVD, e “Hellraiser: Inferno” segue um policial investigando um serial killer, mergulhando em verdades sombrias sobre seu passado, conectando-se ao mito dos Cenobitas.

6. Hellraiser: Caçador do Inferno (2002)

Marcando o início da “fase Bota”, este filme segue um empresário corrupto que, após um acidente, se depara com uma caixa de música sinistra capaz de conjurar Cenobitas. A personagem Kirsty Cotton retorna para uma última participação.

7. Hellraiser: O Retorno dos Mortos (2005)

Este capítulo apresenta uma jornalista investigando uma seita oculta que pode trazer os mortos de volta à vida, enfrentando Pinhead e seus novos Cenobitas.

8. Hellraiser: O Mundo do Inferno (2005)

Considerado um dos mais insanos, explora um MMORPG baseado em Hellraiser, colocando a vida dos gamers em risco enquanto revela a verdade sobre os Cenobitas. Conta com Henry Cavill, Lance Henriksen e Katheryn Winnick no elenco.

9. Hellraiser: Revelações (2011)

Produzido às pressas, este é considerado o pior da franquia. Doug Bradley não retorna como Pinhead. A história segue dois amigos libertando Pinhead e outros demônios.

10. Hellraiser: O Julgamento (2018)

Feito às pressas para manter os direitos da saga, apresenta uma estrutura de thriller policial com os detetives Sean e David Carter enfrentando um sanguinário serial killer.

11. Hellraiser (2022)

Após a franquia retornar a Clive Barker, “Hellraiser” (2022) traz uma nova abordagem, com uma jovem lutando contra seu vício em drogas e inadvertidamente entrando em contato com a Configuração do Lamento.

Ao seguir esta ordem, você embarcará em uma jornada completa pelos horrores, intrigas e reviravoltas da saga “Hellraiser”. Prepare-se para ser arrebatado pelo universo sombrio dos Cenobitas e pela Configuração do Lamento.